Bira era um sujeito matunsgo,
dado a paus e tocos tortos,
diplomado em recantos e grotas,
mas atinava certo saber ladino.
Pouca prosa, orelhas de guaipeca,
opinava em assuntos de brenhas,
loca de tatus e banhados.
Se aluava em conversas de gente,
preferindo o desvão das coisas certas.
Por porte de canivete e fumo,
alforjava junto palha e palpite moco.
-Hunq! seu acento e acordo xoxo
quando se peleava em política e crença.
-Tem por Deus que é teima besta,
que na roça eis num entra certo!
arbitrava em desfavor do eito.
Nesse tempo barulhavam pela roça
pretensões eletivas, mas Bira atinava
desconfiança parda em gente falante.
Desgosto que praticava do pleito.
-Meu gunverno é lua e chuvarada
que dá certidão de boia certa!
Confiado em batida de anta
e carreiro de paca, peneirava promessa,
de padre e político. -Tudo igual na cara!
Urutau anunciou que vinha votação
no desnoite que amanhecia chuvoso.
-Arriar a mula, quentar o decomer e partir!
Mas Bira não contava com o voto da mula,
que sem candidato certo, empacou.
Estorvo de cidadania era o muar.
-Disgraça de animar sem moral e cívica!
-Quar! Que quando eis vim alburrilhar
eu mando eis prende a mula!
A mula, que não era besta, zurrou feliz
Nenhum comentário:
Postar um comentário