Há tanto já escrito
que é preciso nada dizer,
como diz o Dito:
quem Quintana sempre Leminski...
Por esse motivo torpe de poetar
muita nobreza já se derrubou,
por mode papel engendrar.
Mas a abstinência de verbo
me faz sempre pecar
contra o papel que insiste
em me corromper e vexar.
Um velho tronco apodrecido
num igarapé mode carás,
quer valer mais que um Drummond,
que um Cabral ou qualquer Mané sei lá...
Um rio que escorre seu dorso
sabe mais que um qualquer
com manias de poetar.
Assim sendo, o oficio de rimar
é o mais vil e mesquinho
que nos leva sempre ao cadinho
deste vício a nos perder
de viver e descrever...
terça-feira, 22 de julho de 2014
quarta-feira, 21 de maio de 2014
A viagem
Na estrada tingida de cerca que desce pra Aquidauna,
tenho contentamento no capim que vai secando,
quando o mês de agosto pinta a saia da serra,
corando de pejo a brancura do mandiocão nu.
Vaca assunta o vento e destampa vale abaixo,
nelore não tem serventia pra amizade boa,
estima muita que tem no couro dele branco.
Em revés um vento prenhe de cheiro de água
trás novas de piraputanga e curimbatá beiçudo.
Um halito resfriorento anuncia chuva raleante
mas empaca, e o sol ressoa sua cantiga sempre.
É domingo e o mundo está com cara de festejo.
Verdade que ele nunca desmuda a monta
mas cá dentro o coração transfigura o corrido.
Ordinário só o anú-branco que voa bêbado,
bicho desprevenido de destreza até em cantoria.
-Anú só anda de turma! Cada grito uma cagada...
Ensinou o Dito, catucando a venta bolachuda.
Em indo, se entrevê no caminho muito grotão
e desenhos de casas e gente que amontoa.
O Dito anuncia a falência do carburador
e já são por umas cinco da tardinha anoitecida.
O piado espaçoso vai assumindo um som de agouro.
Onça lá na lonjura esticou as patas e roncou
chamando a noite pra inventar assombramento.
-Ô Dito acunha que o boião já subiu a quentura!
Partimos e a cidade vai crescendo sempre perto
até engolir devagar a sombra do automóvel,
feito a sucuri quando anela o papo-amarelo...
tenho contentamento no capim que vai secando,
quando o mês de agosto pinta a saia da serra,
corando de pejo a brancura do mandiocão nu.
Vaca assunta o vento e destampa vale abaixo,
nelore não tem serventia pra amizade boa,
estima muita que tem no couro dele branco.
Em revés um vento prenhe de cheiro de água
trás novas de piraputanga e curimbatá beiçudo.
Um halito resfriorento anuncia chuva raleante
mas empaca, e o sol ressoa sua cantiga sempre.
É domingo e o mundo está com cara de festejo.
Verdade que ele nunca desmuda a monta
mas cá dentro o coração transfigura o corrido.
Ordinário só o anú-branco que voa bêbado,
bicho desprevenido de destreza até em cantoria.
-Anú só anda de turma! Cada grito uma cagada...
Ensinou o Dito, catucando a venta bolachuda.
Em indo, se entrevê no caminho muito grotão
e desenhos de casas e gente que amontoa.
O Dito anuncia a falência do carburador
e já são por umas cinco da tardinha anoitecida.
O piado espaçoso vai assumindo um som de agouro.
Onça lá na lonjura esticou as patas e roncou
chamando a noite pra inventar assombramento.
-Ô Dito acunha que o boião já subiu a quentura!
Partimos e a cidade vai crescendo sempre perto
até engolir devagar a sombra do automóvel,
feito a sucuri quando anela o papo-amarelo...
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Natural
Em passando por um grotão antigo
dei contemplamento na atividade d'água.
Brotava entre as folhas da capituva
um tingindo de luz amarelante
que cheirava a domingo de manhã.
Ali naquele povoejo é sabido im'antes
que quando vem o sol tenente de brilho,
o mato fica festim e acolhe grilos
e se resfestejam calangos esverdejantes.
O natural sempre anela um pé de sonho na gente
e isso vem desde dantes do homem estar.
Tudo que rasteja ou avoa é querente
com serventia pra alegrar a vista.
Bicho grande come o pequeno mas é lei
e não tem rancor nem querela no ancho.
A bazófia do joão de barro matinal
faz a gente querer estar sempre vivo
mode ver as pernotas hesitantes dele.
Que ele vem no chão minhocar o almoço
mas ta sempre de olho nos viventes...
...
Tapera é coisa de muito luxo hoje
porque o mundo transvirou em asfalto,
mas o joão pernoita é em barroquinha
que ele engenhou em barro amarelo torto,
mode o tucano que vem roubar ovo na certeza.
Tucano é desprovido de humanidade
e come os filhotes de quem descuida a cria.
Mas gente é mais pretendida em maldade,
e tucano nem pega beira com o tino nosso.
dei contemplamento na atividade d'água.
Brotava entre as folhas da capituva
um tingindo de luz amarelante
que cheirava a domingo de manhã.
Ali naquele povoejo é sabido im'antes
que quando vem o sol tenente de brilho,
o mato fica festim e acolhe grilos
e se resfestejam calangos esverdejantes.
O natural sempre anela um pé de sonho na gente
e isso vem desde dantes do homem estar.
Tudo que rasteja ou avoa é querente
com serventia pra alegrar a vista.
Bicho grande come o pequeno mas é lei
e não tem rancor nem querela no ancho.
A bazófia do joão de barro matinal
faz a gente querer estar sempre vivo
mode ver as pernotas hesitantes dele.
Que ele vem no chão minhocar o almoço
mas ta sempre de olho nos viventes...
...
Tapera é coisa de muito luxo hoje
porque o mundo transvirou em asfalto,
mas o joão pernoita é em barroquinha
que ele engenhou em barro amarelo torto,
mode o tucano que vem roubar ovo na certeza.
Tucano é desprovido de humanidade
e come os filhotes de quem descuida a cria.
Mas gente é mais pretendida em maldade,
e tucano nem pega beira com o tino nosso.
O nome e os cheiros
Minha avó sabia de antemão inventar cheiros.
Tinha cheiro de livro, cheiro de mãos velhinhas,
cheiro de beijú na janela e café manejado em bule.
Tudo com precisão de encantar meninos.
Me aprendi gostando primeiro do cheiro das coisas,
depois é que veio a ânsia de desmontar palavras.
Tudo enformado na casa de minha avó ao pé da serra,
naquele lugaroso que ainda atende por Pedro Gomes.
Por precisão de encontrar nomes de tantas olências,
apurava o olho em guardados e gavetas matinais
e sempre tinha um flavor de coisas anônimas de rastreio.
Era preciso dar razão e sentido aos achados e inventados.
Minha avó cantinava um motejo de sabiá oloroso
enquanto preparava eflúvios epicuristas no fogão.
Havia constante voz com stacatos e mordentes
que vinha de algures, sem parentesco visível.
Foi dai que faltaram palavras e desinventei a lingua,
mode caber o sentido, antes que a norma reta.
Nesse emaranhado de coisa, cheiro e gentes,
me achei velho com despropósito de vernáculo.
Tento tresantontem ontem e hoje sempre,
mas não acho mão das certitudes sensatas.
Vou construindo esse sistema rotundo
que é baseado em desidéias e tontices aluadas.
Tinha cheiro de livro, cheiro de mãos velhinhas,
cheiro de beijú na janela e café manejado em bule.
Tudo com precisão de encantar meninos.
Me aprendi gostando primeiro do cheiro das coisas,
depois é que veio a ânsia de desmontar palavras.
Tudo enformado na casa de minha avó ao pé da serra,
naquele lugaroso que ainda atende por Pedro Gomes.
Por precisão de encontrar nomes de tantas olências,
apurava o olho em guardados e gavetas matinais
e sempre tinha um flavor de coisas anônimas de rastreio.
Era preciso dar razão e sentido aos achados e inventados.
Minha avó cantinava um motejo de sabiá oloroso
enquanto preparava eflúvios epicuristas no fogão.
Havia constante voz com stacatos e mordentes
que vinha de algures, sem parentesco visível.
Foi dai que faltaram palavras e desinventei a lingua,
mode caber o sentido, antes que a norma reta.
Nesse emaranhado de coisa, cheiro e gentes,
me achei velho com despropósito de vernáculo.
Tento tresantontem ontem e hoje sempre,
mas não acho mão das certitudes sensatas.
Vou construindo esse sistema rotundo
que é baseado em desidéias e tontices aluadas.
quarta-feira, 14 de maio de 2014
As palavras
Diz o povo temente que quando Deus desceu
a ver a torre nascente que se engenhava no rumo do céu,
teve uma ideia torta qual que nem guri quando intenta.
Deixou o divino afazer e foi espiá por detras duma urtiga.
Desdigo que era uma ruma de corno estreando em chifre.
Diz a letra que partiu a fala da turma em dois mundo.
Os estranja de tudo que é categoria e o brasileiro nosso;
Esse nosso que o povo fala diverso, corrido e estudado.
Eu cá de minha lavra só sei uns ditos e uns garranchos.
Dos estranjas tem uns com parecência nossa que já escutei
mas no demais é um engruvinhado que embola a língua.
Seu Shizume fala um falar que parece briga feia,
mas diz o povo que é o modelo dele mesmo sempre.
Deu no radio umas modas emboladas lá deles,
mas eu cá gosto mais do cantar nosso que entoa.
Isso tudo é o que o povo diz, mas eu arretenho dúvida,
porque careço de leitura. Mas na tabuada eu avanço
que não me deixo enganar por palavrórios bestas.
Tenho cá na cabeça o nome de tudo que diviso.
Cor de cavalo, nome de pau e o decomer variado.
Todo tipo de assombração e as palavras pesadas
que só uso quando dou alguma topada em toco.
No demais quem fala muito da bom dia a cavalo,
bicho que entende tudo que se diz mas só roi remoe...
Porque se cavalo falasse ninguém lhe punha cela.
a ver a torre nascente que se engenhava no rumo do céu,
teve uma ideia torta qual que nem guri quando intenta.
Deixou o divino afazer e foi espiá por detras duma urtiga.
Desdigo que era uma ruma de corno estreando em chifre.
Diz a letra que partiu a fala da turma em dois mundo.
Os estranja de tudo que é categoria e o brasileiro nosso;
Esse nosso que o povo fala diverso, corrido e estudado.
Eu cá de minha lavra só sei uns ditos e uns garranchos.
Dos estranjas tem uns com parecência nossa que já escutei
mas no demais é um engruvinhado que embola a língua.
Seu Shizume fala um falar que parece briga feia,
mas diz o povo que é o modelo dele mesmo sempre.
Deu no radio umas modas emboladas lá deles,
mas eu cá gosto mais do cantar nosso que entoa.
Isso tudo é o que o povo diz, mas eu arretenho dúvida,
porque careço de leitura. Mas na tabuada eu avanço
que não me deixo enganar por palavrórios bestas.
Tenho cá na cabeça o nome de tudo que diviso.
Cor de cavalo, nome de pau e o decomer variado.
Todo tipo de assombração e as palavras pesadas
que só uso quando dou alguma topada em toco.
No demais quem fala muito da bom dia a cavalo,
bicho que entende tudo que se diz mas só roi remoe...
Porque se cavalo falasse ninguém lhe punha cela.
Digo.
O caso do osso
Era um osso do espinhaço da vaca;
Taludo, o tutano adesando dentro do cano,
como de menino que nunca boliu em moça.
Versava por umas onze da manhã rebrilhante
e o caldeirãozinho de ferro tungia na quentura,
cá acolá brandiam umas bagas de bolha quente.
Venício butucado no bicho mode não gorpá,
carculava já o derriçar da farinha no caldo.
A visita se aprochegou, assuntou o guisado na venta
e malandrou uma prosa que ia no rumo da boia.
O paneleiro porfiou uma desconfiançazinha bamba
que ia do osso na cara do viajante que se achegara.
-Carcula que esse ai vai lamber beiço às custas!
Trespensou o Venício embaixo do chapeluco.
Conversa vai, vem humhum hum, -Ê diacho!
O homem empacou, sentou praça na cozinha
e o caldo afina e refina, e fogo no cú do caldeirão.
Subiram serra, venderam gado, tombaram jipe,
deitaram chifre em Formoso e o osso galopando...
Num desaviso, a visita peneirou uma fala mofina:
-Ô cumpade essa boia ta cheirando no diabo!
-Eita mas tá mesmo compade, esqueci do guisado!
-Tô sem fome! Embustou o visitante mode convite.
-É pros cachorro! Rematou o compadre já aguado.
Sucedeu um" te mais vorta sempre quiédecasa"
eo cachorro na soleira com as jabuticaba
saindo da caveira rumo do bem-bão garantido a finado.
Taludo, o tutano adesando dentro do cano,
como de menino que nunca boliu em moça.
Versava por umas onze da manhã rebrilhante
e o caldeirãozinho de ferro tungia na quentura,
cá acolá brandiam umas bagas de bolha quente.
Venício butucado no bicho mode não gorpá,
carculava já o derriçar da farinha no caldo.
A visita se aprochegou, assuntou o guisado na venta
e malandrou uma prosa que ia no rumo da boia.
O paneleiro porfiou uma desconfiançazinha bamba
que ia do osso na cara do viajante que se achegara.
-Carcula que esse ai vai lamber beiço às custas!
Trespensou o Venício embaixo do chapeluco.
Conversa vai, vem humhum hum, -Ê diacho!
O homem empacou, sentou praça na cozinha
e o caldo afina e refina, e fogo no cú do caldeirão.
Subiram serra, venderam gado, tombaram jipe,
deitaram chifre em Formoso e o osso galopando...
Num desaviso, a visita peneirou uma fala mofina:
-Ô cumpade essa boia ta cheirando no diabo!
-Eita mas tá mesmo compade, esqueci do guisado!
-Tô sem fome! Embustou o visitante mode convite.
-É pros cachorro! Rematou o compadre já aguado.
Sucedeu um" te mais vorta sempre quiédecasa"
eo cachorro na soleira com as jabuticaba
saindo da caveira rumo do bem-bão garantido a finado.
terça-feira, 13 de maio de 2014
Outro lado
Zé Piloura era um cabra de maus arreios
sempre com um cuidar rasteiro no olhar
e no branco do zói um agouro, um expectar.
Na boca um sorrizoto rastejante e indeciso
mode desdenhar um qualquer desconcerto.
No trato taciturno pouca fala na voz de tronco,
um arremedo de bugiu chamando chuva.
Mas tinha lá no quengo qualquer sombra
que se traduzia em perguntas engolidas feito caroço
quando a prosa pegava o rumo do céu e seus etéreos.
Ensimesmado não aluia com o divino
mas tinha seus arreceios da monta das virtudes.
No acontecido do tamanduá que cercou compadre
escarneceu da prosa e cusparou um desdém.
-Água que recorre transcorre cumpadi! O Vardi recitou.
-Caçoa não que évem e revém! Deus faz prova!
No recorrer do tempo deu semelhança o caso
e o bandeira trasmudou o normal do medo de homem
numa curva onde a lua estava inchada de vermelho.
Evai évem o Zé, e o bicho não arredava do intento.
Bala comeu no centro, pipocou a porva no ar indeciso.
Mas a coisa descoisou em lusco fusco e sucedeu o nada.
Zé Piloura agourou o compadre que ensinou-lhe o assomo.
Porque do mundo das coisas que trasmudam o corrido comum
é que o temor se veste e reveste de certezas e silêncios.
sempre com um cuidar rasteiro no olhar
e no branco do zói um agouro, um expectar.
Na boca um sorrizoto rastejante e indeciso
mode desdenhar um qualquer desconcerto.
No trato taciturno pouca fala na voz de tronco,
um arremedo de bugiu chamando chuva.
Mas tinha lá no quengo qualquer sombra
que se traduzia em perguntas engolidas feito caroço
quando a prosa pegava o rumo do céu e seus etéreos.
Ensimesmado não aluia com o divino
mas tinha seus arreceios da monta das virtudes.
No acontecido do tamanduá que cercou compadre
escarneceu da prosa e cusparou um desdém.
-Água que recorre transcorre cumpadi! O Vardi recitou.
-Caçoa não que évem e revém! Deus faz prova!
No recorrer do tempo deu semelhança o caso
e o bandeira trasmudou o normal do medo de homem
numa curva onde a lua estava inchada de vermelho.
Evai évem o Zé, e o bicho não arredava do intento.
Bala comeu no centro, pipocou a porva no ar indeciso.
Mas a coisa descoisou em lusco fusco e sucedeu o nada.
Zé Piloura agourou o compadre que ensinou-lhe o assomo.
Porque do mundo das coisas que trasmudam o corrido comum
é que o temor se veste e reveste de certezas e silêncios.
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Mula velha...
A vida vai ficando mais conforme na muda do pêlo.
Quando as cãs vão merejando a carapina
o dorso vai acatando as ordenanças dos calejos
e a vida vai escorrendo pelo vagar do atinamento.
Um certo desleixo com ofensas e obstinações
se traduzem sob o esgar de um esquecimento voluntário.
Barda e muita desquerência pelos novos inventantados.
Acontecências que desregulam o corrido já sulcado,
são um incomodamento a mais sem precisão de ser.
Em sendo, é olhar por riba do eito e cuspir cumprido
pra espantar as formigas que festejam um grilo fenecido.
Dor onde outras já urdiram permanências,
calombos e assomos de um mortejar inda longe mas certo.
A roda evém girando e é sempre o mesmo rodar de dantes;
Embora o juízo das coisas vão deferençando o óbvio.
Réstias de ideias safadosas vão desbotando num canto
onde antes ululavam pegajosa meninice.
O apreceio trasmuda em cor e descor
em lusco fusco, em querer e desquerer.
É preciso acostumância com o batido
levar somente a traia que enche o bucho,
o demais deixar pra quem tem carregadura mais moça,
que mula velha enjeita cela e serventia.
Quando as cãs vão merejando a carapina
o dorso vai acatando as ordenanças dos calejos
e a vida vai escorrendo pelo vagar do atinamento.
Um certo desleixo com ofensas e obstinações
se traduzem sob o esgar de um esquecimento voluntário.
Barda e muita desquerência pelos novos inventantados.
Acontecências que desregulam o corrido já sulcado,
são um incomodamento a mais sem precisão de ser.
Em sendo, é olhar por riba do eito e cuspir cumprido
pra espantar as formigas que festejam um grilo fenecido.
Dor onde outras já urdiram permanências,
calombos e assomos de um mortejar inda longe mas certo.
A roda evém girando e é sempre o mesmo rodar de dantes;
Embora o juízo das coisas vão deferençando o óbvio.
Réstias de ideias safadosas vão desbotando num canto
onde antes ululavam pegajosa meninice.
O apreceio trasmuda em cor e descor
em lusco fusco, em querer e desquerer.
É preciso acostumância com o batido
levar somente a traia que enche o bucho,
o demais deixar pra quem tem carregadura mais moça,
que mula velha enjeita cela e serventia.
O valor de cada um
Talqualmente o outono quando évem
traz de solapa um respingo de aconchego
enoitando mais cedo o céu púmbleo
e perspegando o mate na língua d'almas.
A chuva fica encangaçada no oitão do mundo
fazendo a tarde ser denoite no relógio do galo.
O povinho temente a Deus, no enroda do fogão
desce a porva do lombo do gunverno ladrão.
Entre uma cuiada e outro, gavam um vereador bão de mais
que inté dá carona pra quem vai pros lado do corgo.
Mormente o surrupio do nosso "Eis roba mais faz!"
Sentencia o Vardi enquanto lava os terém do mate.
Cá no canto, compadre assente com um: "Hum hum".
A latomia do brejo vai deitando na brenha baixa
mas coruja já botou os óculos pra ler a noite,
que no calar das vozes, bicho sabido assunta
mode garantir o seu bocado, tirado dos menosvalia,
como os sapos e as pererecas lambisgoias,
ocupados que estão em ensaiar o coro de chuva.
O mate quentou e requentou a noite começante.
No farnesim da prosa, o Vardi alembrou causos e feitas.
-No tempo do finado fulano e sicrano tinha esteio
Que os homi era tudo rico, nem carecia roubar!
O deputado tal e tal era simpres, falava com todos.
-Numa feita me arrumou inté uns remédio pra muié!
Agora ta virado no setenta. Uma ingrisia só.
Tamanduá vem na cerca furmigar um cheiro.
A prosa pegou o rumo dos queixadas no São Bento,
resvalaou num causo de corno arrecem inaugurado,
um guaipeca maiado que a sucuri comeu no varjão...
Amiuduou, chegando mesmo à total circunspecção.
Tibungou no sobroso do almoço já virando em janta.
Amanhã o garrão tem que tá pronto pro batido.
-Gunverno não dá camisa pra ninguém não.
traz de solapa um respingo de aconchego
enoitando mais cedo o céu púmbleo
e perspegando o mate na língua d'almas.
A chuva fica encangaçada no oitão do mundo
fazendo a tarde ser denoite no relógio do galo.
O povinho temente a Deus, no enroda do fogão
desce a porva do lombo do gunverno ladrão.
Entre uma cuiada e outro, gavam um vereador bão de mais
que inté dá carona pra quem vai pros lado do corgo.
Mormente o surrupio do nosso "Eis roba mais faz!"
Sentencia o Vardi enquanto lava os terém do mate.
Cá no canto, compadre assente com um: "Hum hum".
A latomia do brejo vai deitando na brenha baixa
mas coruja já botou os óculos pra ler a noite,
que no calar das vozes, bicho sabido assunta
mode garantir o seu bocado, tirado dos menosvalia,
como os sapos e as pererecas lambisgoias,
ocupados que estão em ensaiar o coro de chuva.
O mate quentou e requentou a noite começante.
No farnesim da prosa, o Vardi alembrou causos e feitas.
-No tempo do finado fulano e sicrano tinha esteio
Que os homi era tudo rico, nem carecia roubar!
O deputado tal e tal era simpres, falava com todos.
-Numa feita me arrumou inté uns remédio pra muié!
Agora ta virado no setenta. Uma ingrisia só.
Tamanduá vem na cerca furmigar um cheiro.
A prosa pegou o rumo dos queixadas no São Bento,
resvalaou num causo de corno arrecem inaugurado,
um guaipeca maiado que a sucuri comeu no varjão...
Amiuduou, chegando mesmo à total circunspecção.
Tibungou no sobroso do almoço já virando em janta.
Amanhã o garrão tem que tá pronto pro batido.
-Gunverno não dá camisa pra ninguém não.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
A historia de um nome
Zé Badalo, por demasia de gavar o ofício,
ganhou dele o epitáfio e notoriedade.
O Porfíro ria desbragado do cheira batina,
mas uma ponta de inveja assomava-lhe o franzido.
A graça se lhe achava na sisudez domingueira
dada a desimportãnça do serviço de badalar.
Zé pulava cedo, ensebava a carapina rala,
metia-lhe o panamá meticulosamente
e empinava rumo ao campanário.
Deixava a chifruda na porta tombada
e subia as escadas obsequioso:
-Mode os morcego!
Dizia ser a "prantaforma" do cão aquela revoada.
Punha-se ao pé do sino e porfiava uma reza
enquanto enrolava o paieiro piedoso.
As seis em ponto, hora do sol reluzir na campana,
rufava o cacete no sono dos cristãos dominicais.
Pedro Delator esganiçava um agouro ao Zé:
-Fi duma ronca e fuça!
Seguia rumoroso rumo a cozinha
onde Mariinha já tirara o torto
com farofa de torresmo e café.
Tião charreteiro vinha estalando os beiços com o petiço,
que de burro só tinha o nome e os arreios.
O lubuno tinha decorado o cheiro da grama da igreja.
Era dia de batismo na vila branca.
Maria Rolon deu cria do Olímpio sem braço.
Não carecia convite, correio era o zunido.
-Já envinha o Arlindo, seu Tico e a famia,
o Cirino Torto, o Porfiro e um povaréu!
A Cida Bosta ficava ao pé do Frei Luiz
onde a pecha lhe era desviada.
À pia desceu o menino agora por nome Sidinei.
Coisa que Maria apanhara em novela.
-O sonso do Olimpo não parpitou!
Especialista em rezar cobra, quebranto, tiriça e trazer marido,
Ressentia do desagravo do clérigo.
Todos juntos para o ofício na nave translúcida,
assuntavam ainda dormentes mas contritos
o embróglio religioso por demais de comprido.
No ar, acima da embolada de pensamentos,
um gradiente de olores, odores, venturas e desventuras
que subiam aos céus rumo aos portais eternos,
para o registro imediato do nome do menino:
Sidinei Damasceno Da Anunciação,
Agora por nome Neizim de Maria.
ganhou dele o epitáfio e notoriedade.
O Porfíro ria desbragado do cheira batina,
mas uma ponta de inveja assomava-lhe o franzido.
A graça se lhe achava na sisudez domingueira
dada a desimportãnça do serviço de badalar.
Zé pulava cedo, ensebava a carapina rala,
metia-lhe o panamá meticulosamente
e empinava rumo ao campanário.
Deixava a chifruda na porta tombada
e subia as escadas obsequioso:
-Mode os morcego!
Dizia ser a "prantaforma" do cão aquela revoada.
Punha-se ao pé do sino e porfiava uma reza
enquanto enrolava o paieiro piedoso.
As seis em ponto, hora do sol reluzir na campana,
rufava o cacete no sono dos cristãos dominicais.
Pedro Delator esganiçava um agouro ao Zé:
-Fi duma ronca e fuça!
Seguia rumoroso rumo a cozinha
onde Mariinha já tirara o torto
com farofa de torresmo e café.
Tião charreteiro vinha estalando os beiços com o petiço,
que de burro só tinha o nome e os arreios.
O lubuno tinha decorado o cheiro da grama da igreja.
Era dia de batismo na vila branca.
Maria Rolon deu cria do Olímpio sem braço.
Não carecia convite, correio era o zunido.
-Já envinha o Arlindo, seu Tico e a famia,
o Cirino Torto, o Porfiro e um povaréu!
A Cida Bosta ficava ao pé do Frei Luiz
onde a pecha lhe era desviada.
À pia desceu o menino agora por nome Sidinei.
Coisa que Maria apanhara em novela.
-O sonso do Olimpo não parpitou!
Especialista em rezar cobra, quebranto, tiriça e trazer marido,
Ressentia do desagravo do clérigo.
Todos juntos para o ofício na nave translúcida,
assuntavam ainda dormentes mas contritos
o embróglio religioso por demais de comprido.
No ar, acima da embolada de pensamentos,
um gradiente de olores, odores, venturas e desventuras
que subiam aos céus rumo aos portais eternos,
para o registro imediato do nome do menino:
Sidinei Damasceno Da Anunciação,
Agora por nome Neizim de Maria.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Insuficiência de palavras
-Devia de existir um inventor de palavras!
Que a vida é tão diversa e mutante que não cabe
na língua dos livros o nome de todas as coisas que são!
O povo rasteiro sempre inventa seu ditos
mas quase não tem serventia para os sábios.
Eu quero aprender a recolher palavras tortas,
aquelas que são cacos de telha, restos de fala.
Voz de guaipecas, de brenha quando anoitece,
da enxada quando retine na raiz do pau-ferro.
Nesse restolho, tudo tem serventia e convida;
Como quando o bandeira se arvora e chama briga.
Naquele caminho ninguém passa porque ele encrenca.
Fala de assombração é turva e arrepia o pêlo.
Lobisomem também tem barda
e esconde a fala no meio da mata pra aluar noite clara.
Lá naquela curva tem um mandiocão caído,
diz que lá aparece uma moça, ela chora os desditos
mas não deixa ninguém passar. Cavalo assunta de longe.
Como se chama o medo de alma penada?
Sabe não? Arruda espanta inveja e mosquito,
mas o medonho mesmo fica dentro da gente.
Tem coisa que não tem nem nome e a gente chama
porque acostuma com o corrido, com o dito.
Mas o inominável só o homem sabe fazer.
Tem sempre um inventando um modo de
maleitar o outro, de turvar-lhe o sentido,
de sujar até a alma branca das crianças.
Tem palavras que nunca vão ser ditas
porque não serão suficientes para explicar o bicho
que corre o oco do homem lá bem dentro.
Que a vida é tão diversa e mutante que não cabe
na língua dos livros o nome de todas as coisas que são!
O povo rasteiro sempre inventa seu ditos
mas quase não tem serventia para os sábios.
Eu quero aprender a recolher palavras tortas,
aquelas que são cacos de telha, restos de fala.
Voz de guaipecas, de brenha quando anoitece,
da enxada quando retine na raiz do pau-ferro.
Nesse restolho, tudo tem serventia e convida;
Como quando o bandeira se arvora e chama briga.
Naquele caminho ninguém passa porque ele encrenca.
Fala de assombração é turva e arrepia o pêlo.
Lobisomem também tem barda
e esconde a fala no meio da mata pra aluar noite clara.
Lá naquela curva tem um mandiocão caído,
diz que lá aparece uma moça, ela chora os desditos
mas não deixa ninguém passar. Cavalo assunta de longe.
Como se chama o medo de alma penada?
Sabe não? Arruda espanta inveja e mosquito,
mas o medonho mesmo fica dentro da gente.
Tem coisa que não tem nem nome e a gente chama
porque acostuma com o corrido, com o dito.
Mas o inominável só o homem sabe fazer.
Tem sempre um inventando um modo de
maleitar o outro, de turvar-lhe o sentido,
de sujar até a alma branca das crianças.
Tem palavras que nunca vão ser ditas
porque não serão suficientes para explicar o bicho
que corre o oco do homem lá bem dentro.
A tropa
O tamanduá mirim escuta o cheiro na lonjura do valado
vai passando, tem pressa: Assunto de cupins e formigas.
-Na casa do véi papudo tem três moça bonita pronta!
No de noite alumiam as barras da saia com alvoroço.
No pouso do gado, o velho forniqueiro põe língua em tudo,
aumenta pasto, guampa e valentia em cordéis sem fim.
Sete dias no eito. Sol, chuva e cantoria vai tinindo vaca.
Voz de gado amansa o coração cansado e arvorece.
-Eram cinco no comboio daquela vez eu alembro!
-O ponteiro? era o Vardi sempre massarando o fuminho!
-Venancio era o culateiro e fazia um boião arvorado!
-Cumpadi Venicius? Esse era meieiro e proseador bão!
-O fiador era um não sei quem mais o outro treiteiro!
É chuva? Capim margoso vai cacheando as cepas viçoso.
O coração tangedor vai assuntando o rancho
e o vislumbre das moças vai puxando a tropa debalde.
Na toada da vida, o garrão do homem também se doma.
Amolece em vestidos que guardam segredos vestutos.
O fiar vagaroso do fumo no papel pardo não barulha
é sinal da boia que enche, enche, enche o ar respingoso de janta.
Charque, depois café e um pito intermitente na velha rede.
No claro do dia já vai longe o pensamento, aboiando,
saudadejando uma lembrança turva de coisa boa que ficou
na poeira da boiadeira. O mundo não tem pressa.
Saudade é uma felicidade tecida em dorzinha fina
que vai catucando um montinho de alegrias passas.
Mas vaca não tem lembrança, só de sal e do riachinho
que vai merejando a jornada infinita para o mar...
vai passando, tem pressa: Assunto de cupins e formigas.
-Na casa do véi papudo tem três moça bonita pronta!
No de noite alumiam as barras da saia com alvoroço.
No pouso do gado, o velho forniqueiro põe língua em tudo,
aumenta pasto, guampa e valentia em cordéis sem fim.
Sete dias no eito. Sol, chuva e cantoria vai tinindo vaca.
Voz de gado amansa o coração cansado e arvorece.
-Eram cinco no comboio daquela vez eu alembro!
-O ponteiro? era o Vardi sempre massarando o fuminho!
-Venancio era o culateiro e fazia um boião arvorado!
-Cumpadi Venicius? Esse era meieiro e proseador bão!
-O fiador era um não sei quem mais o outro treiteiro!
É chuva? Capim margoso vai cacheando as cepas viçoso.
O coração tangedor vai assuntando o rancho
e o vislumbre das moças vai puxando a tropa debalde.
Na toada da vida, o garrão do homem também se doma.
Amolece em vestidos que guardam segredos vestutos.
O fiar vagaroso do fumo no papel pardo não barulha
é sinal da boia que enche, enche, enche o ar respingoso de janta.
Charque, depois café e um pito intermitente na velha rede.
No claro do dia já vai longe o pensamento, aboiando,
saudadejando uma lembrança turva de coisa boa que ficou
na poeira da boiadeira. O mundo não tem pressa.
Saudade é uma felicidade tecida em dorzinha fina
que vai catucando um montinho de alegrias passas.
Mas vaca não tem lembrança, só de sal e do riachinho
que vai merejando a jornada infinita para o mar...
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Disléxico
Querem botar ordem em minha pessoa,
me organizar, colocar medidas de homem
mas não sou mensurável.
Estou na terceira pessoa o tempo todo.
Ainda brinco de ser gente grande
mas sempre erro os combinamentos.
Estou mais para embaúva que cerejeira
e sou habitado por formigas de fogo.
Sou oblíquo e me apaixono pelo feio
sempre que a beleza me oprime.
Mas samambaia tem tendência e métrica
por causa de que quer ser gente.
Uma mulher bonita é como borboleta-folha
se você segura, ela morre de beleza.
Mas isto não sou eu de verdade não,
meus descaminhos me perderam de mim
e só me encontro no fim das palavras.
O amor é meu medo mais profundo
porque me sulca para paragens de águas
onde me crescem flores inalcançáveis.
Acho inutilidade mais fácil que o uso,
casinha de marimbondo solteiro é perícia,
mas habilidade para o inútil tenho de sobra.
Sei fazer uma coisa inexplicável
que não serve pra nada e desarranja.
Se você não gosta de mim, me desocupe
deixe aberta a porta pra entrar passarim
vou compor um acorde passaral
e escrever um poema disléxico.
me organizar, colocar medidas de homem
mas não sou mensurável.
Estou na terceira pessoa o tempo todo.
Ainda brinco de ser gente grande
mas sempre erro os combinamentos.
Estou mais para embaúva que cerejeira
e sou habitado por formigas de fogo.
Sou oblíquo e me apaixono pelo feio
sempre que a beleza me oprime.
Mas samambaia tem tendência e métrica
por causa de que quer ser gente.
Uma mulher bonita é como borboleta-folha
se você segura, ela morre de beleza.
Mas isto não sou eu de verdade não,
meus descaminhos me perderam de mim
e só me encontro no fim das palavras.
O amor é meu medo mais profundo
porque me sulca para paragens de águas
onde me crescem flores inalcançáveis.
Acho inutilidade mais fácil que o uso,
casinha de marimbondo solteiro é perícia,
mas habilidade para o inútil tenho de sobra.
Sei fazer uma coisa inexplicável
que não serve pra nada e desarranja.
Se você não gosta de mim, me desocupe
deixe aberta a porta pra entrar passarim
vou compor um acorde passaral
e escrever um poema disléxico.
Ente
Não fui educado para ser homem
E nessa perplexidade de desomem
Não achei lugar em lugar nenhum
nem palavra em linguar nenhum.
Me desvi em rota e chegadas
e meu plantel não tinha classe.
Me feri com palavras mais que ações.
Um desamprender se consolidou
e formou-se um traduzir obstruído,
que quanto mais escrevo mais desdigo.
É o caso de se interromper o começado
mas não posso desfazer o que se não fiz.
Quem pode me explicar?
Acho que sou menos que pedra
porque ao fim me desmineraliso.
Mas o eu que desconheço em mim
vai ficar de algum modo estranho de mim,
e provavelmente mudar de estado, uma meta-coisa.
Há muita explicação e sentido em tudo,
mas desconheço menos na forma que na essência.
Sou uma parede onde não se pendurou nada.
Ainda.
E nessa perplexidade de desomem
Não achei lugar em lugar nenhum
nem palavra em linguar nenhum.
Me desvi em rota e chegadas
e meu plantel não tinha classe.
Me feri com palavras mais que ações.
Um desamprender se consolidou
e formou-se um traduzir obstruído,
que quanto mais escrevo mais desdigo.
É o caso de se interromper o começado
mas não posso desfazer o que se não fiz.
Quem pode me explicar?
Acho que sou menos que pedra
porque ao fim me desmineraliso.
Mas o eu que desconheço em mim
vai ficar de algum modo estranho de mim,
e provavelmente mudar de estado, uma meta-coisa.
Há muita explicação e sentido em tudo,
mas desconheço menos na forma que na essência.
Sou uma parede onde não se pendurou nada.
Ainda.
Pedro Gomes
A lesma caramujou no oco da noite
deixando uma trilha de lerdeza e silencio.
Seu oficio é lesmar e gosmar o chão.
Paciente como um monge, não urge:
Seu tempo é líquido, flui e reflui molemente.
Soterrado pelo frio, escuto sua trilha brilhante;
Para música não há palavras explicatorias.
A música da lesma é oca, tem voz de limbo.
Não sou capaz de afinar o lesmal,
nem o som que faz o pensamento.
Aliás penso tanto que dói o siso.
Invejo o vazio da orelha de pau quando chove.
Tenho tenência de musgo em pau podre,
escuto com o olho e apreceio com orelha.
Tudo desinvertido, descombino a toleima.
Tenho lembranças mornas de arreios,
choupana de palha e mate no pantanal.
Meu caixeiro era pai lá, troçaiama de casa
Rádio, chita e fumo de corda era espólio.
Escrevo por modo de esvaziamento,
tem um menino catucando no eito meu.
Lá tem paus, tabuleiro e descompassos.
Um solilóquio de velhuras oblíquas
onde a lesma ensina brejos e cerrado.
Comi uma serra quando não tinha relógio
e bebi um corguinho lá em Pedro Gomes,
a cidade que minha'vó inventou.
Era feita de beijus com manteiga.
Aquilo se agarrou em mim e poetei.
Nunca mais atinei para o regular,
Agora tenho ânsias de descoisas.
deixando uma trilha de lerdeza e silencio.
Seu oficio é lesmar e gosmar o chão.
Paciente como um monge, não urge:
Seu tempo é líquido, flui e reflui molemente.
Soterrado pelo frio, escuto sua trilha brilhante;
Para música não há palavras explicatorias.
A música da lesma é oca, tem voz de limbo.
Não sou capaz de afinar o lesmal,
nem o som que faz o pensamento.
Aliás penso tanto que dói o siso.
Invejo o vazio da orelha de pau quando chove.
Tenho tenência de musgo em pau podre,
escuto com o olho e apreceio com orelha.
Tudo desinvertido, descombino a toleima.
Tenho lembranças mornas de arreios,
choupana de palha e mate no pantanal.
Meu caixeiro era pai lá, troçaiama de casa
Rádio, chita e fumo de corda era espólio.
Escrevo por modo de esvaziamento,
tem um menino catucando no eito meu.
Lá tem paus, tabuleiro e descompassos.
Um solilóquio de velhuras oblíquas
onde a lesma ensina brejos e cerrado.
Comi uma serra quando não tinha relógio
e bebi um corguinho lá em Pedro Gomes,
a cidade que minha'vó inventou.
Era feita de beijus com manteiga.
Aquilo se agarrou em mim e poetei.
Nunca mais atinei para o regular,
Agora tenho ânsias de descoisas.
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Aposentadoria
O mês de agosto findou no bico da juriti
aninhada na sibipiruna desfolhando.
Ela segue atenta um camisão, calça-chinelo
que caminham no corpo de um velho embaixo.
A dois metros atrás, vai chapinando emborcada,
as chinelas da mulher a tiracolo da bolsa.
Olham pro chão, cuidam carros estúpidos.
Eles não se importam mais com bem-te-vis
nem ouvem o grito amarelo do ipê anônimo.
Em sua memória, imagens de TV e a pensão
se amontoam no chiar das folhas da Sete-copas.
O chapéu cobre valentias e conquistas esmaecidas,
gavadas em memórias bolorentas,
sempre desconfiadas pelas chinelas conjugais.
É indês o ovo da juriti choca.
A Grevilha jarretada brotará em setembro
e o pica-pau veio conferir a morte, não deu coró.
-É esperar pra ver o mês se o "Gonverno" paga certo!
-Ir à Caixa requer prano e cárculo bão!
-Uma sacola pra enrolar os documento,
olho nos malandra, um papel da senha
e algum cristão pra ler o imbróglio!
A paineira já recobrou ânimo
Já vem chamando setembro e chuva mole.
Deu cria nas flores e beija-flor azul metálico.
vem trazendo primavera nas asinhas azáfamas.
Com pressa, com pressa, ele também não vê
a juriti enganada ajeitando o ovo goro.
aninhada na sibipiruna desfolhando.
Ela segue atenta um camisão, calça-chinelo
que caminham no corpo de um velho embaixo.
A dois metros atrás, vai chapinando emborcada,
as chinelas da mulher a tiracolo da bolsa.
Olham pro chão, cuidam carros estúpidos.
Eles não se importam mais com bem-te-vis
nem ouvem o grito amarelo do ipê anônimo.
Em sua memória, imagens de TV e a pensão
se amontoam no chiar das folhas da Sete-copas.
O chapéu cobre valentias e conquistas esmaecidas,
gavadas em memórias bolorentas,
sempre desconfiadas pelas chinelas conjugais.
É indês o ovo da juriti choca.
A Grevilha jarretada brotará em setembro
e o pica-pau veio conferir a morte, não deu coró.
-É esperar pra ver o mês se o "Gonverno" paga certo!
-Ir à Caixa requer prano e cárculo bão!
-Uma sacola pra enrolar os documento,
olho nos malandra, um papel da senha
e algum cristão pra ler o imbróglio!
A paineira já recobrou ânimo
Já vem chamando setembro e chuva mole.
Deu cria nas flores e beija-flor azul metálico.
vem trazendo primavera nas asinhas azáfamas.
Com pressa, com pressa, ele também não vê
a juriti enganada ajeitando o ovo goro.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
A Bataia do Vardi
A geada debruçou-se sobre o pasto
e o capim derriçou espanto adormecido.
A vista deferençou, houve tumulto em baixo,
mas a folha seca é vitamina de carrapato.
Em meio a sisudez do derrubado, correria:
Esperança já deu mostras verdes no choupo
e a romanzinha está prenhe de renovo.
Nem Renoir viu a florzinha branca do cerrado.
Ela évem toda boruscada de teimosia.
Renitente como a perobinha encascada,
não teme estio nem varagem : Embola.
No estorvo da palhagem vem um viço
que empurra a mortandade dontontem,
e a vacada vai remoendo o restolho
até a gordura do catingueiro brotar.
Ninguém põe ordem nos costados
aquela arrumação é o vento quem faz.
Vem derreando o mato por riba
até o tinguá se deita mode ordenar.
Os arabescos vão surgindo no desvão
e os tons quem dá, é a soleima do dia.
À noite um miudo chapinar se olvida,
é grilo que grila, é gia que gia.
Pro ano vem patuscada de estio
vem fogo, vem gelo.
Vem de um tudo em força e poder.
lá na bataia, onde o Vardi amoita,
a vida se desbasta de explicar
com palavras de boca de livro.
É assim só.
e o capim derriçou espanto adormecido.
A vista deferençou, houve tumulto em baixo,
mas a folha seca é vitamina de carrapato.
Em meio a sisudez do derrubado, correria:
Esperança já deu mostras verdes no choupo
e a romanzinha está prenhe de renovo.
Nem Renoir viu a florzinha branca do cerrado.
Ela évem toda boruscada de teimosia.
Renitente como a perobinha encascada,
não teme estio nem varagem : Embola.
No estorvo da palhagem vem um viço
que empurra a mortandade dontontem,
e a vacada vai remoendo o restolho
até a gordura do catingueiro brotar.
Ninguém põe ordem nos costados
aquela arrumação é o vento quem faz.
Vem derreando o mato por riba
até o tinguá se deita mode ordenar.
Os arabescos vão surgindo no desvão
e os tons quem dá, é a soleima do dia.
À noite um miudo chapinar se olvida,
é grilo que grila, é gia que gia.
Pro ano vem patuscada de estio
vem fogo, vem gelo.
Vem de um tudo em força e poder.
lá na bataia, onde o Vardi amoita,
a vida se desbasta de explicar
com palavras de boca de livro.
É assim só.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Arreios
O tordilho despreza toda poesia!
Ele balança a cauda longa enquanto rumina
um tanto de sapiência equina.
Vez em quando, olha-me pensante
e não lhe ocorrem rimas ou profundezas.
Lhe interessam: A silagem e a vastidão.
O desejo de grandezas me diminui imensamente
cá do outro lado da cerca baixa.
O que nos separa não é o valado.
Talvez a altivez indomitável,
a simplicitude com que aceita sua sina.
Num arroio esverdeado cochicha um escorrido.
Trata de assuntos d'algas e limbo, de lambaris e socós.
Pra'lém da matinha se esconde o sol preguiçoso,
enquanto o hálito da noite vem refrescoso.
O bardoso está livre de arreios e forçados,
Todo o peso do dia está em meus ombros.
Os ombros de dentro, onde o jugo é mais pesado.
O baio se esfrega num jatobá parido.
Um cheiro de capim me alivia a memória,
lembro-me de coisas inúteis bem guardadas
a sete chaves cortantes em gavetas emperradas.
É preciso seguir: O chimarão esfria na varanda.
Como fazer pra esquecer os arreios?
As pedras e locas das sendas d’alma?
É preciso correr um trecho d’água
Dormir em estepes novas e floridas
envergadas pela boca fria do mês de agosto.
Ele balança a cauda longa enquanto rumina
um tanto de sapiência equina.
Vez em quando, olha-me pensante
e não lhe ocorrem rimas ou profundezas.
Lhe interessam: A silagem e a vastidão.
O desejo de grandezas me diminui imensamente
cá do outro lado da cerca baixa.
O que nos separa não é o valado.
Talvez a altivez indomitável,
a simplicitude com que aceita sua sina.
Num arroio esverdeado cochicha um escorrido.
Trata de assuntos d'algas e limbo, de lambaris e socós.
Pra'lém da matinha se esconde o sol preguiçoso,
enquanto o hálito da noite vem refrescoso.
O bardoso está livre de arreios e forçados,
Todo o peso do dia está em meus ombros.
Os ombros de dentro, onde o jugo é mais pesado.
O baio se esfrega num jatobá parido.
Um cheiro de capim me alivia a memória,
lembro-me de coisas inúteis bem guardadas
a sete chaves cortantes em gavetas emperradas.
É preciso seguir: O chimarão esfria na varanda.
Como fazer pra esquecer os arreios?
As pedras e locas das sendas d’alma?
É preciso correr um trecho d’água
Dormir em estepes novas e floridas
envergadas pela boca fria do mês de agosto.
terça-feira, 23 de julho de 2013
Insônia
O rego d'água quando corre riachoso
pensa em grotões anchos, prenhes de carás.
Lá na légua ele vai se amontoando
em aguarias de muita chuva.
Vai ajuntando lama de folhas
e emburacando um corgo.
Seu ofício é preencher, ajuntar,
apodrecer paus e semear tuviras.
Um rego d'água permanece.
Sua desimportância é maior que o Paraná.
mas é debaixo de sua saia que nascem
os caudalosos, os peixosos .
Tem olho pequeno e nome engraçado:
Batalha, Ceroula, Corguim, Lambari!
Sempre merejando sua insignificância
vai dando nomes e barranco pros graúdos.
Só crianças e passarinhos gostam dele.
Da pra enterrar o pé na areia,
encher o papo e chutar água.
Sapo também fez seu girau
pra reclamar gia na boca da noite.
Evém vindo ela botar rede.
E lá do rancho da pra escutar
o fluir escorrido d´água de sonho,
vai entrando no ouvido,
enchendo o corpo de torpor,
amolecendo o pensamento e...
Glubblubglibblubglugssssssssssss...
pensa em grotões anchos, prenhes de carás.
Lá na légua ele vai se amontoando
em aguarias de muita chuva.
Vai ajuntando lama de folhas
e emburacando um corgo.
Seu ofício é preencher, ajuntar,
apodrecer paus e semear tuviras.
Um rego d'água permanece.
Sua desimportância é maior que o Paraná.
mas é debaixo de sua saia que nascem
os caudalosos, os peixosos .
Tem olho pequeno e nome engraçado:
Batalha, Ceroula, Corguim, Lambari!
Sempre merejando sua insignificância
vai dando nomes e barranco pros graúdos.
Só crianças e passarinhos gostam dele.
Da pra enterrar o pé na areia,
encher o papo e chutar água.
Sapo também fez seu girau
pra reclamar gia na boca da noite.
Evém vindo ela botar rede.
E lá do rancho da pra escutar
o fluir escorrido d´água de sonho,
vai entrando no ouvido,
enchendo o corpo de torpor,
amolecendo o pensamento e...
Glubblubglibblubglugssssssssssss...
Insônia
O rego d'água quando corre riachoso
pensa em grotões anchos, prenhes de carás.
Lá na légua ele vai se amontoando
em aguarias de muita chuva.
Vai ajuntando lama de folhas
e emburacando um corgo.
Seu ofício é preencher, ajuntar,
apodrecer paus e semear tuviras.
Um rego d'água permanece.
Sua desimportância é maior que o Paraná.
mas é debaixo de sua saia que nascem
os caudalosos, os peixosos .
Tem olho pequeno e nome engraçado:
Batalha, Ceroula, Corguim, Lambari!
Sempre merejando sua insignificância
vai dando nomes e barranco pros graúdos.
Só crianças e passarinhos gostam dele.
Da pra enterrar o pé na areia,
encher o papo e chutar água.
Sapo também fez seu girau
pra reclamar gia na boca da noite.
Evém vindo ela botar rede.
E lá do rancho da pra escutar
o fluir escorrido d´água de sonho,
vai entrando no ouvido,
enchendo o corpo de torpor,
amolecendo o pensamento e...
Glubblubglibblubglugssssssssssss...
pensa em grotões anchos, prenhes de carás.
Lá na légua ele vai se amontoando
em aguarias de muita chuva.
Vai ajuntando lama de folhas
e emburacando um corgo.
Seu ofício é preencher, ajuntar,
apodrecer paus e semear tuviras.
Um rego d'água permanece.
Sua desimportância é maior que o Paraná.
mas é debaixo de sua saia que nascem
os caudalosos, os peixosos .
Tem olho pequeno e nome engraçado:
Batalha, Ceroula, Corguim, Lambari!
Sempre merejando sua insignificância
vai dando nomes e barranco pros graúdos.
Só crianças e passarinhos gostam dele.
Da pra enterrar o pé na areia,
encher o papo e chutar água.
Sapo também fez seu girau
pra reclamar gia na boca da noite.
Evém vindo ela botar rede.
E lá do rancho da pra escutar
o fluir escorrido d´água de sonho,
vai entrando no ouvido,
enchendo o corpo de torpor,
amolecendo o pensamento e...
Glubblubglibblubglugssssssssssss...
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